É óbvio para quem?

Quantas vezes você deixou de explicar algo a alguém, supondo que essa pessoa já sabia do que se tratava? E quantas vezes você pensou “Não vou dizer nada, ela vai aprender com os próprios erros e entender o que eu estou pensando”. Esse ambiente, onde as coisas ficam turvas, indefinidas, e onde as pessoas tomam o que não foi dito como dito, é o nem tão conhecido, mas intrigante, Mundo do Óbvio!

Para se transportar até lá, basta um piscar de olhos!

É só dizer: “Mas é óbvio!” e você estará lá.

óbvio

Tenho quase certeza que você já esteve por lá, mas não está lembrando. Se não foi, talvez tenha presenciado alguma situação como, por exemplo, estar em casa com a sua família e alguém lhe dizer: “É óbvio que você deveria ter feito”, essa pessoa é um ‘obviano’.

Ao longo de mais de 10 anos trabalhando em empresas percebo que o Mundo do Óbvio é um dos fatores que mais causa transtorno dentro das organizações. Obvianos líderes, obvianos liderados, obvianos clientes… todo mundo viaja por esse mundo.

E se tem uma situação que é típica entre os obvianos é esta história que eu vivi na pele, nos mais de 10 anos trabalhando com Gestão de Pessoas.

“Alguns dias após a contratação de um funcionário para um pequena empresa, o diretor estava todo sorridente elogiando o novo contratado para todos. Estava muito contente pois era um rapaz ágil, disposto, inteligente e especial, pois era o primeiro funcionário de fora da família a trabalhar no setor administrativo.

Porém, com o passar dos dias, e antes mesmo do período de experiência terminar, durante uma reunião de rotina, o diretor me solicitou o desligamento, alegando que a conduta dele não estava de acordo com as normas da empresa. A principal reclamação eram os atrasos frequentes: ele chegava todos os dias entre 10 a 20 minutos após o início do expediente.

E a justificativa foi precisa: “Isso é inadmissível na nossa empresa! Aqui o mínimo que esperamos é ser pontual”. Foi quando eu perguntei se o meu cliente havia chamado a atenção do novato, quando ele me respondeu: “Ser pontual é uma questão óbvia. Ninguém precisa chamar a atenção de alguém por isso.”

Bastou esta frase para entender toda a situação. Mesmo assim, cumpri com o meu papel e fui até o funcionário para entender o seu ponto de vista. E a resposta confirmou todas as minhas suspeitas: “Sim, eu cheguei vários dias atrasado, mas achei que não se importavam com isso, pois ninguém me disse nada. Se este for o problema, de minha parte não vai se repetir”.

Diretamente do Mundo do Óbvio!

E aí, já entendeu como a história terminou?

Tão rápido o dono da empresa e o funcionário foram ao mundo do óbvio, já retornaram. E não foi preciso nenhum super acordo, ou  uma carta formal. Uma simples conversa resolveria este fator, antes de ele virar um problema para ambas as partes.

Frequentemente eu passo por alguma situação assim, até porque isso não é uma exclusividade no relacionamento entre funcionário e empresário. Nas relações pessoais também há esposos, mães, filhos, avós e amigos obvianos.

Quantas vezes você foi parar no Mundo do Óbvio, apenas por acreditar que a pessoa sabia o que precisava ser feito ou entenderia algum dia? Mas quer uma dica simples, que vai lhe fixar de uma vez por todas aqui na Terra?

O primeiro passo é entender o que foi combinado, esclarecer a situação e, após terminar, fazer uma pergunta que vai lhe livrar de muitas preocupações:

– Você entendeu o que lhe disse?

Dessa pergunta, duas respostas podem surgir: sim ou não.

Se a pessoa não entendeu, repita a informação com ainda mais clareza e detalhes. Até que ela diga que entendeu. Quando ela confirmar que entendeu, você finaliza:

– Então repete.

E assim se volta de uma longa viagem ao Mundo do Óbvio. De uma maneira simples, educada e clara, seus problemas se resolverão. E pode ter certeza que o nível de atenção da pessoa após esse primeiro impacto vai se elevar muito e fazer a diferença quando você precisar dela novamente.

Fuja do óbvio!

Aline-Dotta---Assinatura

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